História

HISTÓRIA DO NÚCLEO DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA DA UFMG


O envelhecimento é a principal conquista do nosso século. Em breve, haverá mais idosos do que crianças no mundo. O Brasil ocupa lugar de destaque neste novo cenário mundial e, portanto, deve se preparar para oferecer aos idosos, não só uma vida mais longa, mas também melhor e mais saudável. O risco de adoecer e adquirir incapacidades aumenta com o passar dos anos tendo acarretado maior e mais prolongado uso de serviços de saúde. Assim sendo, políticas públicas, legislações, produtos e serviços voltados para o idoso têm surgido de forma crescente, porém, fragmentada, desorganizada e desarticulada. Seguramente, o maior problema é o despreparo dos profissionais da área de saúde na preservação e/ou recuperação da saúde do idoso. Mitos, estereótipos e preconceitos servem como álibis para justificar o desconhecimento sobre o processo de envelhecimento, o idoso e a velhice. Todos os sintomas ou incapacidades apresentadas pelo idoso são facilmente atribuídos ao envelhecimento per si (“da idade”). Consequentemente, o diagnóstico não é especificado corretamente e, obviamente, o tratamento limita-se à prescrição de drogas fúteis e, por vezes, iatrogênicas, capazes de piorar a vida do idoso. Mais grave que o desconhecimento, é julgar que sabe, ou seja, "não saber que não sabe". Dessa forma, corrompe-se o princípio básico da Medicina, primum non nocere, também conhecido como princípio da não-maleficicência.
A Geriatria surge, então, como a especialidade médica capaz de compreender o processo de envelhecimento, o sujeito idoso e o ambiente em que ele se insere e sua família. A heterogeneidade deste segmento proíbe qualquer forma de generalização ou o estabelecimento de regras, comportamentos e condutas aplicadas a todo idoso. A individualização do cuidado é a única regra aceitável. Cabe ao geriatra, o gerenciamento dos sintomas, das doenças, das incapacidades, dos fatores de risco, do trabalho interdisciplinar, da família fragilizada e de todos os recursos disponíveis para o bem-estar do idoso frágil e de sua família. Esse "olhar geriátrico-gerontológico" deve estar ao alcance de todas as especialidades médicas e, em especial, à Medicina de Família, com a qual temos vários pontos em comum, em especial a centralidade no idoso e sua família, a valorização da prevenção quaternária e a integralidade do cuidado.
Nessa perspectiva, a UFMG se situa como pioneira no ensino da Geriatria no curso de Medicina. Assim, na década de 1970, o professor Caio Benjamin Dias lançou a semente dessa nova especialidade médica na UFMG. Logo em seguida, o professor Anielo Greco Rodrigues dos Santos conclui sua formação em Geriatria na Inglaterra e torna-se referência no atendimento ao idoso. E, em 1996, os professores Edgar Nunes de Moraes e Marília Campos de Abreu Marino, criaram o Ambulatório de Geriatria, único responsável pelo atendimento de idosos frágeis pelo SUS em Minas Gerais. Em 1999, instituímos o Núcleo de Geriatria e Gerontologia da UFMG (NUGG) com o objetivo de integrar todas as unidades e professores da UFMG que atuam na área de envelhecimento, coordenado pelo prof. Anielo até 2001 e, desde então, pelo professor Edgar Nunes de Moraes. As ações do NUGG destacam-se no ensino de graduação e pós-graduação, pesquisa e extensão. Em 2003, todo o trabalho desenvolvido, particularmente na área assistencial, foi reconhecido pelo Ministério da Saúde com o credenciamento como o primeiro Centro de Referência em Assistência à Saúde do Idoso do Estado de Minas Gerais, graças ao apoio da Secretaria Estadual de Saúde. Em 2010, graças à doação feita pelo Dr. Aloysio de Andrade Faria, foi inaugurado o Instituto Jenny de Andrade Faria de Atenção à Saúde do Idoso e da Mulher, considerado um dos maiores Centros Geriátricos-Gerontológicos do Brasil, além de ser uma das principais instituições formadoras de recursos humanos na área de envelhecimento. A construção do prédio desse instituto mostra, claramente, a migração do foco das preocupações da Medicina. Inicialmente, o terreno abrigou o Hospital Carlos Chagas, dedicado às doenças infecto-parasitárias, e, mais tarde, transformou-se em centro de saúde ginecológica e obstétrica. A nova destinação responde às mudanças epidemiológicas resultantes do envelhecimento populacional: a transição epidemiológica (maior demanda das doenças crônico-degenerativas em detrimento às doenças infectocontagiosas) e a feminização da velhice.
Em 2016, as atividades assistenciais do NUGG foram incorporadas pelo Serviço de Geriatria do HC-UFMG, sob a coordenação dos professores Edgar Nunes de Moraes e Maria Aparecida Camargos Bicalho. Em 2018, inauguramos o Ginásio Interdisciplinar do Idoso Dr. Aloysio de Andrade Faria, que tem como objetivo maximizar a independência e autonomia dos idosos atendidos pelo Serviço de Geriatria. O espaço foi equipado para oferecer intervenções altamente especializadas nas áreas de reabilitação física, cardiovascular, clínica de dor, acupuntura, nutrição, sarcopenia e oftalmologia.
A formação de recursos humanos é outro compromisso fundamental do NUGG. Em 2002 e 2003 foram criados, respectivamente, o curso de Treinamento Profissional em Geriatria e a Residência de Geriatria do HC-UFMG, responsáveis por mais de 40% dos especialistas na área de Geriatria e Gerontologia de Minas Gerais. Os colegas Rodrigo Ribeiro dos Santos, Gelson Ruben Almeida, Maura Aparecida Meira Maia, Maria Aparecida Camargos Bicalho e Flávia Lanna de Moraes foram os primeiros especialistas titulados do serviço, que hoje são o esteio do Serviço de Geriatria. A residência médica em Geriatria é também uma fonte inestimável de preceptores do serviço, representado pelos colegas Marco Túlio Gualberto Cintra, Silvana de Araújo Silva, Erika de Oliveira Hansen e Camila Oliveira Alcântara. O corpo clínico do serviço é todo formado por geriatras "gestados" na família NUGG, como Ana Paula Abranches Fernandes, Diana Carvalho Ferreira, Rafael Alexandre B. Martins, Juliana Alves do Carmo, Mariana Santos Lyra C. Real Juliana Elias Duarte, Barbara Oliveira Correa, Ariane Flávia Almeida Lage e Marcelo Andrade Starling, Igor Lanna. O setor de Cuidados Paliativos do HC-UFMG está fortemente vinculado à Geriatria e realiza um trabalho primoroso no Hospital das Clínicas da UFMG. Temos muito orgulho das conquistas dos profissionais formados no NUGG, que são nossas "metástases benignas" em várias regiões do Brasil. O apoio e a participação de outros docentes do departamento de Clínica Médica da UFMG nos dá o respaldo e a chancela acadêmica, como os professores Flávio Chaimowics e Silvana de Araújo Silva. Docentes de outros departamentos participam ativamente de nossas ações, como os professores Bernardo Mattos Viana (Saúde Mental), Adriana Maria Kakehasi (Aparelho Locomotor), Maurício Viotti (Saúde Mental), Leandro Malloy (Saúde Mental), Rodrigo Nicolato (Saúde Mental), Myriam Celani (Ginecologia) e Denise Utsch (Otorrinolaringologia).
Na área de Gerontologia temos a honra de contarmos com a contribuição de docentes de várias áreas, como Luciana de Oliveira Assis (Terapia Ocupacional), Ann Kristine Jansen (Nutrição), Adriano Max Moreira Reis (Farmácia), Erica Araújo Couto (Fonoaudiologia), Marina Horta Teixeira (Musicoterapia), Cybelle M. Veiga Loureiro (Musicoterapia), Sônia Maria Soares (Enfermagem), Leani Souza Máximo (Fisioterapia), Gisela de Cássia (Fisioterapia), Lygia Paccini Lustosa (Fisioterapia) e Marcela Tirado (Terapia Ocupacional). A área de enfermagem é outro grande destaque na assistência realizada pelo NUGG. O esforço e dedicação de Raquel Souza Azevedo, Viviane Rodrigues Jardim, Alcimar Marcelo do Couto, Thiara Joanna Peçanha Cruz e Juliana Santos Neves são facilmente percebidos no cotidiano do atendimento realizado no Instituto Jenny de Andrade Faria. A contribuição de Doroteia Fernandes Silva (Serviço social), Soraya Coelho Costa (Farmácia), João Luís Cioglia (Otorrinolaringologia), Cybelle M.V. Costa (Acupuntura), Paulo Henrique T. Prado (Psicogeriatria) e Luciana Ribeiro Sampaio (Fisioterapia) é merecedora de nosso apreço e admiração.
Não podemos deixar de homenagear os funcionários técnico-administrativos que nos ajudaram na longa caminhada, como Neuza, Rosária Arenare, Lígia, e, mais recentemente, Eloíza Neves Vieira, Ludmila Mascarenhas e Nayara Oliveira, além de nossas recepcionistas Regina Maria Nogueira, Pabline Souza Gonçalves Santos, Carolina Amanda do Carmo Silva e Jusciana Cristina da Cruz. Estendemos o agradecimento a tantos outros funcionários do HC-UFMG e da Faculdade de Medicina que nos deram condição para transformamos projetos em ações concretas.
Diversos outros parceiros foram decisivos para o crescimento e fortalecimento de nossas ações, mesmo tendo participação pontual. Agradecemos a todos aqueles que, mesmo por pouco tempo, conviveram conosco e deixaram sua marca na trajetória de sucesso do Núcleo de Geriatria e Gerontologia da UFMG.

Prof. Edgar Nunes de Moraes                      
Coordenador do Núcleo de Geriatria e Gerontologia da UFMG